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segunda-feira, 31 de maio de 2010

ENTENDENDO AS COPAS DO MUNDO DE FUTEBOL.


A história de uma paixão mundial

Depois da fundação da Fifa, em 1905, o desejo de realizar um supercampeonato envolvendo selecionados de vários países crescia dia após dia. O futebol era o esporte de maior sucesso nos Jogos Olímpicos, só que estes eram organizados pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), portanto, a Fifa perdia um pouco o controle do seu próprio esporte. Os países europeus gostaram da idéia, mas esta teve de ficar por algum tempo encubada, porque os constantes conflitos entre os países do Velho Continente - culminando com o advento da Primeira Guerra Mundial - impediam qualquer tipo de contato amistoso.
Em 1921, um francês chamado Jules Rimet assumiu a presidência da Fifa. A Primeira Guerra já havia acabado fazia alguns anos e, sendo assim, os ânimos estavam mais tranqüilos e, talvez, até propensos à realização do dito torneio de futebol. Em 18 de maio de 1929, o congresso oficial realizado pela Fifa aprovou a realização do campeonato mundial de futebol no ano seguinte, 1930.

1930 - Uruguai

Mesmo com a oferta de benefícios por parte do governo uruguaio, que comemorava o centenário de sua independência, a escolha do país-sede não foi um ponto pacífico. Alguns países, como a Itália e a Espanha, achavam que a Copa deveria ser realizada na Europa. Outros alegavam não ter dinheiro nem tempo para permanecer mais de um mês fora - é preciso lembrar que a Copa foi realizada apenas um ano depois da crise da bolsa americana, que levou vários países europeus praticamente à falência devido a seu vínculo de dependência com os EUA. Desemprego, colapso do mercado externo e interno, manifestações pró-ditaduras e formação de partidos de extrema direita foram alguns dos sintomas apresentados pelos países europeus mais afetados pela crise. Dessa forma, apenas quatro selecionados do Velho Continente compareceram à primeira edição do torneio: França, Bélgica, Romênia e Iugoslávia. Financiado pela Fifa, o navio Conte Verde levou as seleções européias até o Uruguai, com exceção do selecionado iugoslavo, que não queria cruzar com os romenos, passando no Brasil para dar uma carona aos jogadores e dirigentes brasileiros. O Brasil compareceu com um selecionado carioca porque houve divergências entre cariocas e paulistas - estes alegando que existia bairrismo na escolha dos atletas. Até por ser o primeiro, tal campeonato foi bastante desorganizado. Segundo os relatos da época, as partidas foram muito violentas.
Países participantes: 13
Vice-campeão: Argentina
Campeão: Uruguai

1934 - Itália

A Copa foi utilizada como propaganda política do fascismo de Benito Mussolini e, para que esta surtisse efeito, era necessária a vitória do selecionado italiano. O "Duce", como era chamado o ditador, não mediu esforços para isso. Os memorialistas dizem, por exemplo, que o jogador Monti, o melhor da Argentina, recebeu na Copa anterior ameaças contra seus familiares, indo então jogar futebol na Itália, e os ameaçadores eram agentes italianos infiltrados. Outro disse que um general acompanhou passo a passo o selecionado, pressionando os jogadores a vencer. Três fatos interessantes: pela primeira vez, houve eliminatórias para decidir quem seriam os 16 países participantes; o Uruguai - atual campeão - resolveu boicotar os jogos em represália à não-participação italiana em 30; e ocorreu a primeira participação de um país que não era do eixo América-Europa, o Egito, representante da África. O Brasil teve uma participação apática: perdeu na primeira rodada de 3 a 1 para a Espanha e foi eliminado.
Países participantes: 16
Vice-campeão: Checoslováquia
Campeão: Itália

1938 - França

Mesmo com as tensões antecedentes à Segunda Guerra Mundial, resolveu-se dar continuidade às disputas da Copa do Mundo. A Alemanha havia anexado a Áustria alguns meses antes e, como os dois países estavam confirmados, a Copa foi realizada com um participante a menos. Além disso, o selecionado alemão foi reforçado por alguns atletas austríacos. A França realizou o Mundial com muita organização. Pela primeira vez, o país-sede e o último campeão não precisaram disputar as eliminatórias. Era a primeira vez também que o país anfitrião não disputou a final do campeonato. O Brasil foi bem nessa Copa, chegou até as semifinais, disputando com a campeã Itália. Perdeu, mas de um apertado 2 a 1 - é preciso lembrar que o técnico brasileiro não escalou nesse jogo o principal jogador do escrete: Leônidas da Silva. Na disputa pelo terceiro lugar, o Brasil venceu a Suécia por 4 a 2, ganhando a medalha de bronze.
Países participantes: 15
Vice-campeão: Hungria
Campeão: Itália

1942 e 1946- Triste pausa

A Segunda Guerra Mundial se estendeu de 1939 a 1945. Seria de se supor que a Copa de 1942 fosse cancelada, já que grande parte dos países europeus e americanos estava envolvida nessa catastrófica guerra. Mesmo já terminada a guerra, em 1946, a destruição ocasionada por esta em todo o continente europeu e os problemas financeiros dos países americanos inviabilizava a realização da Copa do Mundo de Futebol.

1950 - Brasil

A primeira Copa pós-guerra foi realizada no Brasil, o único país candidato a sediar o Mundial. Os países europeus ainda tentavam se reestruturar, por isso, foram muitos os países que desistiram de participar desse torneio. Os ingleses, que nunca se importaram com o torneio, resolveram participar, demonstrando que estavam se reestruturando após toda a destruição ocasionada pelos bombardeios nazistas. Mesmo com um selecionado debilitado por causa da morte de vários atletas durante a guerra, os bretões eram os francos favoritos - afinal, eram eles os inventores do futebol. Mas foram uma decepção geral. Amargaram uma vexatória derrota para os EUA - selecionados sem tradição nenhuma no futebol. A "zebra" foi tão grande que alguns jornais ingleses, acreditando que era um erro de telex, anunciaram a vitória da Inglaterra por 10 a 1, quando, na verdade, o resultado era 1 a 0 contrário. O Brasil, que pouco foi afetado durante a guerra, era o franco favorito. Nas vésperas da final contra o Uruguai, a euforia tomou conta do país: eram jornais publicando fotos dos futuros campeões mundiais, políticos querendo posar ao lado dos craques, comemorações antecipadas. Ao término do jogo, com a vitória de 2 a 1 dos uruguaios, o quadro se reverteu completamente. As ruas ficaram vazias, o país entrou em luto - a ponto de o capitão uruguaio, Obdulio Varela, afirmar que, se soubesse que a tristeza seria tão grande, não lutaria tanto para vencer o jogo.
Países participantes: 13
Vice-campeão: Brasil
Campeão: Uruguai

1954 - Suíça

A Suíça, já no término da Copa de 1950 no Brasil, havia manifestado interesse em organizar o próximo Mundial. Como esse país havia ficado neutro na guerra, seus danos foram pequenos e sua economia era estável, viabilizando o projeto. Nessa Copa, começaria uma parceria que, nos anos seguintes, alcançaria o sucesso: a transmissão do futebol pela televisão. Os favoritos não foram bem, o Brasil foi eliminado pela surpresa da Copa - a Hungria -, enquanto os uruguaios conseguiram apenas um quarto lugar. Na verdade, boa parte da superioridade húngara vinha de uma revolucionária descoberta feita por seus preparadores: o aquecimento é de fundamental importância para o rendimento do atleta. Assim, os gols marcados pelo selecionado húngaro eram quase sempre nos dez primeiros minutos da partida, enquanto os jogadores adversários ainda estavam frios. Na final, a fenomenal Hungria do craque Puskas foi surpreendida pela Alemanha, que acabou sagrando-se campeã.
Países participantes: 16
Vice-campeão: Hungria
Campeão: Alemanha

1958 - Suécia

O sucesso na Copa anterior, na Suíça, foi fundamental para a escolha do próximo país-sede: a Suécia, que, por sinal, assim como a Suíça, também tinha ficado neutra durante a Segunda Guerra, não dependendo de recursos externos para se reconstruir. Outra conseqüência da guerra: o mundo foi dividido em dois segmentos: o bloco socialista -liderado pela URSS - e o bloco capitalista - liderado pelos EUA. A disputa de poder entre os dois blocos foi chamada de "guerra fria". Na década de 50, essa divergência se intensificou muito, chegando às disputas esportivas, principalmente às Olimpíadas e à Copa do Mundo. Assim, em 1958, na Suécia, a equipe da URSS era temida, pois se acreditava que seus jogadores eram produzidos em laboratório. Ledo engano: já na primeira fase, o Brasil superou o temido adversário por 2 a 0, com um show à parte de Garrincha. No meio da Copa, lançou no time titular um garoto de apenas 17 anos. Seu nome: Edson Arantes do Nascimento - o Pelé -, o maior jogador de todos os tempos. O Brasil venceu todos os seus adversários com facilidade. A final contra a anfitriã Suécia terminou em goleada: 5 a 2.
Países participantes: 16
Vice-campeão: Suécia
Campeão: Brasil

1962 - Chile

Depois de muito esforço, o Chile conseguiu trazer novamente a Copa para a América do Sul. Seguindo o slogan "Porque nada temos, tudo faremos", a comissão organizadora esforçou-se bastante para cumprir todos os requisitos exigidos pela Fifa. Mas a principal característica do torneio foi a violência. Foram vários os incidentes em campo envolvendo dirigentes, comissão técnica e, principalmente, os jogadores. Pelé, por exemplo, teve uma distensão muscular no jogo contra a Checoslováquia, ficando fora do restante da Copa. Felizmente, o Brasil precisou somente da genialidade de Garrincha para superar os adversários, vencendo na final novamente contra a Checoslováquia com o placar de 3 a 1.
Países participantes: 16
Vice-campeão: Checoslováquia
Campeão: Brasil

1966 - Inglaterra

Os novíssimos televisores coloridos mostraram para os lares mais abastados da Europa, pela primeira vez, o sorteio dos grupos que iriam compor a VIII Copa do Mundo. A influência britânica dentro da Fifa trouxe ao país inventor do futebol o maior campeonato de todos os tempos. Uma curiosidade: alguns meses antes do início da Copa, a taça Jules Rimet foi misteriosamente roubada, sendo encontrada pelo faro apurado de uma cadela chamada Pickles. O Brasil não foi bem nessa Copa, Garrincha já não jogava como antes e Pelé foi literalmente "caçado" no jogo contra Portugal. A final foi entre as protocolares escolas inglesa e alemã. Depois de um empate no tempo regulamentar, os ingleses fizeram um gol ilegal na prorrogação: a bola não ultrapassou completamente a linha. No final da prorrogação, ainda seria marcado mais um gol pelos ingleses, decretando o primeiro título mundial ao país-sede. Final: Inglaterra 4 a 2 sobre a Alemanha.
Países participantes: 16
Vice-campeão: Alemanha
Campeão: Inglaterra

1970 - México

A Copa do México foi transformada pelos mexicanos em mais do que um simples evento esportivo, tornando-se uma grande festividade. A televisão, pela primeira vez via satélite, transmitiu os jogos para o mundo todo. E, assim, várias pessoas foram agraciadas, podendo assistir ao vivo a volta do futebol arte. O desacreditado Brasil ressurgiu através da figura de Pelé, que consolidou nesse Mundial a condição - incomparável até a atualidade - de melhor jogador de futebol de todos os tempos. Não se pode negar também a importância de craques como Tostão, Jairzinho, Rivelino, entre outros... Foi um espetáculo que encantou de perto mexicanos e, a distância, todo mundo. Na final, um resultado incontestável: Brasil 4 a 1 no tradicional selecionado italiano. Como o Brasil foi o primeiro selecionado a conquistar o tricampeonato, a taça Jules Rimet foi entregue definitivamente ao país (até o momento em que foi roubada e derretida).
Países participantes: 16
Vice-campeão: Itália
Campeão: Brasil

1974 - Alemanha

Os preparativos e a própria Copa do Mundo foram cercados de muita segurança, devido ao atentado ocorrido na Olimpíada de Munique em 1972, quando revolucionários de um grupo chamado Setembro Negro - que defendia a independência da Palestina - atacaram o alojamento onde se encontravam os atletas israelitas, o que resultou na morte tanto de atletas quanto dos próprios terroristas. Assim, com cuidados redobrados, a Copa da Alemanha foi muito organizada. Uma inovação ocorrida nessa edição da Copa foi o jogo de abertura ser feito pelo último campeão. É interessante destacar o jogo entre as duas Alemanhas, a Ocidental e a Oriental, já que, após a Segunda Guerra Mundial, foi criado um grande muro na cidade de Berlim que separava a Alemanha em dois países distintos: de um lado do muro, sob a influência americana, a Alemanha Federal; do outro lado, sob o comando soviético, a República Democrática. Venceu esse jogo aquela de característica capitalista, por 1 a 0. O Brasil, favorito devido ao espetáculo exibido na última Copa no México, decepcionou mostrando um estilo novo, que visava somente ao resultado. Acabou assim, devido a sua tática equivocada, amargando um quarto lugar. A final foi entre o tradicional selecionado da casa, a Alemanha, e a surpreendente Holanda, batizada de "carrossel holandês". Venceu a tradição.
Países participantes: 16
Vice-campeão: Holanda
Campeão: Alemanha

1978 - Argentina

Em 1966, a Fifa tinha tomado a decisão de alternar as Copas do Mundo entre Europa e América, cabendo a esta, então, ceder o país que realizaria o torneio. Era a vez da Argentina, equipe tradicional que nunca havia sido anfitriã de uma Copa. Os países europeus criticaram bastante essa escolha, alegando que a Argentina não oferecia a segurança necessária, pois o regime político era uma ditadura militar, bastante questionada pelo povo argentino, o que gerava constantes conflitos civis. Além disso, os selecionados europeus temiam enfrentar o país anfitrião por causa da violência de seus jogadores. Mas não teve jeito, a Fifa não alterou sua escolha. O Brasil foi bem no torneio, jogando um futebol aguerrido, ficou em terceiro lugar, mas saiu invicto do torneio, sendo chamado por esse motivo pela crônica brasileira de "campeão moral", já que muito se especulava sobre um acerto de resultados entre Argentina e Peru, garantindo a presença argentina na final. Novamente, o anfitrião faria a final contra a Holanda, que praticaria o mesmo futebol eficiente da Copa passada. O resultado foi o mesmo da Copa anterior: venceu o time da casa.
Países participantes: 16
Vice-campeão: Holanda
Campeão: Argentina

1982 - Espanha

Desde a Copa do México, em 1970, a Espanha vinha observando e preparando a organização de um Mundial. Assim, depois da Copa de 1978, esse país foi confirmado como país-sede. A Fifa, a partir dessa Copa, lançou uma política de expansão: o número de participantes aumentou significativamente e os investimentos em marketing foram pesados. Os resultados foram os esperados: a superpopularização do futebol, que era a meta da Fifa, aconteceu. Cabe ressaltar que o nível técnico da competição foi altíssimo, colaborando ainda mais para o sucesso do torneio. O Brasil era o favorito, pois havia acabado de revelar uma geração de jogadores que seria considerada por alguns melhor que a geração de Pelé. Nela, figuravam nomes como Zico, Sócrates, Falcão, Toninho Cerezzo, Batista, Éder, entre outros craques. A auto-suficiência derrubou inesperadamente o Brasil diante da Itália numa tarde excepcional de Paolo Rossi. A surpresa e a tristeza no Brasil só foi superada pela perda da Copa de 1950. Depois do feito, não existia nenhum adversário para a Itália que, naturalmente, sagrou-se campeã. Nota: além de superar o Brasil nos gramados, a Itália igualou-se com o Brasil, pois recebeu o título de tricampeã mundial.
Países participantes: 24
Vice-campeão: Alemanha
Campeão: Itália

1986 - México

Em 1978, a Colômbia foi escolhida como sede do Mundial de 1986, mas as crises do petróleo da década de 70 (os países árabes membros da OPEP causaram um aumento artificial nos preços do petróleo), que causaram o colapso de várias economias latino-americanas, afetaram a Colômbia, que, não tendo condições financeiras para a realização do Mundial, teve que abnegar seu direito adquirido. Por causa da desistência da Colômbia, o México foi o primeiro país a organizar uma Copa do Mundo pela segunda vez. O México também encontrou muitas dificuldades. A crise do petróleo afetou a economia mexicana também e, em 1982, houve uma grande desvalorização da moeda mexicana, culminando com a declaração da moratória (isto é, o México não tinha dinheiro para pagar as suas dívidas) pelo governo mexicano. Além dos problemas econômicos, meses antes do início das disputas, ocorreu um grande terremoto que abalou o país inteiro. Mesmo com todas essas dificuldades, a organização mexicana foi impecável. Os brasileiros esperavam que a seleção - que tinha a mesma base da Copa anterior, só que com os jogadores já em final de carreira - suprisse a decepção na Espanha, há quatro anos. Nada disso ocorreu. O Brasil foi eliminado num jogo dramático contra a França: o ídolo Zico desperdiçou um pênalti no tempo regulamentar, e Sócrates, displicentemente, outro na decisão por penalidades máximas. O destaque não foi um selecionado, e sim, um único jogador: Diego Armando Maradona, responsável pela vitória da Argentina.
Países participantes: 24
Vice-campeão: Alemanha
Campeão: Argentina

1990 - Itália

A Itália foi escolhida como país-sede da Copa de 1990 naturalmente, já que na ordem de alternância de continentes era a vez do europeu e o tabu de não repetir um país como sede havia sido quebrado no México quatro anos antes. A novidade era o sorteio dirigido, evitando que os favoritos se enfrentassem antes das etapas decisivas. O Brasil, através do técnico Sebastião Lazaroni, favorecia a marcação e não a técnica individual do jogador brasileiro. A imprensa batizou essa característica da seleção com a alcunha "geração Dunga". Aconteceu o que era evidente: o Brasil foi eliminado pela Argentina de Maradona e Caniggia. A mesma final da Copa passada se repetiu: Alemanha contra Argentina. Maradona não apresentou o mesmo futebol: vitória alemã - 1 a 0.
Países participantes: 24
Vice-campeão: Argentina
Campeão: Alemanha

1994 - EUA

Pela primeira vez, a Fifa resolveu escolher um país-sede com alta tecnologia, mas de pouca tradição futebolística. Interessante é que tal evento pode ser visto de dois ângulos opostos: um sucesso se a referência for o fator econômico, pois gerou muito lucro, mas um fracasso se sua finalidade era aumentar o número de espectadores americanos, já que, embora o futebol fosse popular em número de praticantes, os esportes mais assistidos nesse país são o basquetebol, o beisebol e o futebol americano. Para se ter uma idéia disso, a maioria da população americana nem estava ciente da realização da Copa no seu país, e alguns americanos, quando indagados sobre o "soccer", perguntavam se Pelé iria jogar nesse campeonato. O Brasil jogou um futebol que, embora não encantasse, foi bastante eficiente. Chegou com resultados magros até a final, disputada num jogo sem muita emoção contra a Itália. Quem ganhasse ficaria como o único detentor do título de tetracampeão mundial. Ficou para nós, mas com um pouquinho de sorte na "loteria da disputa por pênaltis"...
Países participantes: 24
Vice-campeão: Itália
Campeão: Brasil

1998 - França

Apesar de se candidatar à sede do Mundial de 1998, a França não era um ponto pacífico nem dentro do seu próprio país, pois grande parte da população era contra a realização do torneio. Mesmo assim, a organização foi muito boa, com exceção da distribuição dos ingressos que, devido a falhas, acabou deixando muitos torcedores que atravessaram oceanos de fora dos estádios. O número de equipes participantes novamente cresceu, atendendo às necessidades da Fifa de abrir mais vagas para os emergentes continentes africano e asiático. O Brasil não convencia, a derrota na primeira fase para a Noruega deixou a torcida receosa, mas chegou, aos trancos e barrancos, à final. Interessante é que a final em Paris foi mais emocionante antes do jogo - nos bastidores - do que durante a partida propriamente dita. O polêmico caso envolvendo o jogador Ronaldinho, que tivera convulsões horas antes da partida, até hoje tem vários pontos a serem explicados. Moral da história: um acachapante 3 a 0 favorável aos franceses.
Países participantes: 32
Vice-campeão: Brasil
Campeão: França

2002 - Japão e Coréia

Para a realização da Copa do Mundo de 2002, o comitê organizador da Fifa preferiu, assim como em 1994, investir em países que não tinham muita tradição no futebol, mas onde o esporte se desenvolvia rapidamente e as condições financeiras eram favoráveis. Assim, duas novidades foram lançadas na escolha do país-sede: pela primeira vez, esse campeonato seria realizado fora do eixo Europa—América, sendo levado para o continente asiático. E, como nesse continente existiam dois países interessados em sediá-lo, ambos com condições de organização bastante parecidas, também pela primeira vez, a Copa seria disputada em dois países-sede, a Coréia do Sul e o Japão.
Os dois investiram na associação da organização e em alta tecnologia. Muitos estádios foram construídos, todos primando pela modernidade, e hoje estão entre os mais avançados do mundo. Outra preparação que envolveu alta tecnologia foi a segurança, desde o treinamento policial para evitar os temidos hooligans ingleses e alemães até o monitoramento aéreo contra o terrorismo, muito temido, já que esse campeonato foi realizado menos de um ano após os ataques de 11 de setembro.
Alguns meses antes da Copa, enquanto o povo coreano vivia a euforia de ser o anfitrião do torneio mais importante do mundo, os japoneses pareciam não estar muito ligados ao evento. O entusiasmo dos coreanos foi marcante e fundamental para a seleção sul-coreana terminar o campeonato num surpreendente quarto lugar. Aliás, surpresas não faltaram nessa Copa. A França, principal favorita e detentora do título, foi eliminada na primeira fase, tendo sido incapaz de marcar sequer um gol. Em contrapartida, a Alemanha e o Brasil, que chegaram à Copa totalmente desacreditados e sofreram muito para conseguir classificar-se, disputaram a final do campeonato. Foi a primeira vez que as duas seleções com melhores campanhas na história das Copas do Mundo se enfrentaram em uma Copa, e o Brasil saiu vitorioso. Ronaldinho, que até poucos meses antes da estréia nesse campeonato era considerado acabado para o futebol por causa de uma seqüência de graves lesões, deu a volta por cima, foi artilheiro da Copa e marcou os dois gols da final.
Países participantes: 32
Vice-campeão: Alemanha
Campeão: Brasil


2006 - Alemanha

Em 2006, a Copa do Mundo voltava à Europa tendo como país-sede a Alemanha, com tradição no futebol, detentora de três títulos mundiais. A Alemanha tem a oportunidade de organizar a Copa do Mundo de Futebol pela segunda vez – a primeira foi em 1974, na Alemanha Ocidental – após 28 anos de divisão geopolítica, representada pelo Muro de Berlim (1961-1989). Em 2006, a Alemanha, considerada então a maior economia da zona do euro, teve a oportunidade, por meio da Copa do Mundo de Futebol, de mostrar-se ao mundo unificada.
O país germânico foi exemplar e metódico na realização dos compromissos e na organização da Copa, no que diz respeito à construção dos estádios, à qualidade do transporte público, entre outros. Apesar de todo ele ter-se realizado com primor, a indicação da Alemanha em 2006 foi um tanto controversa, pois desde aquele ano esperava-se um torneio de Copa do Mundo no continente africano.
Naquele ano, a seleção canarinho era a favorita a mais um título mundial. Considerava-se o hexacampeonato por vários motivos: o Brasil era o então campeão mundial, confirmando sua hegemonia como único país a participar de todas as Copas; em 2005, foi campeão da Copa das Confederações, esta também organizada pela Fifa; além disso, o Brasil tinha a considerada seleção das estrelas. Na verdade, a seleção brasileira teve uma participação muito aquém das expectativas mundiais: passou da primeira fase sem grandes problemas, mas não mostrou um bom futebol; nas oitavas de final, venceu Gana por 3x0, carimbando seu “passaporte” para as quartas de final. Então, foi no fatídico 1.o de julho de 2006, no Fifa WM Stadion Frankfurt, que o Brasil jogou contra a França, em uma possível revanche de 1998. Muitos dos jogadores da partida de 2006 estiveram em 98 também, inclusive um velho conhecido dos brasileiros: Zinédine Zidane (Zizu). Porém, Zidane não foi o protagonista desse jogo, pois, aos 12 minutos do segundo tempo, Henry, atacante francês, marca o destino do Brasil naquela Copa. A França elimina o Brasil e os brasileiros lembram da imperdoável ajeitadinha na meia do nosso lateral esquerdo Roberto Carlos, que deixou Henry livre para marcar 1x0 para a França.
A França seria a protagonista na final da Copa de 2006, ao lado da Itália, e os italianos seriam os campeões nas penalidades máximas por 5x3. Um dos fatos marcantes na final foi a famosa cabeçada de Zidane no zagueiro italiano, que acabou na expulsão do craque francês e marcou a sua última participação em Copas do Mundo.

Países participantes: 32
Vice-campeão: França
Campeão: Itália


2010 — África do Sul

De 11 de junho a 11 de julho de 2010, mais uma vez estaremos em frente à televisão, roendo as unhas, angustiados e torcendo por 11 jogadores que representam a única seleção que conquistou cinco títulos mundiais, participou de todas as Copas do Mundo FIFA e mais uma vez vai em busca do hexacampeonato.
Desta vez o mundial chega finalmente a um continente que cresce a cada ano em se tratando de bons jogadores e grandes seleções. A Copa do Mundo terá como anfitriã a África do Sul, um país com 1.219.090 km2 de área, com uma população de 48,7 milhões de habitantes e cuja capital é a Cidade do Cabo.
A Copa de 2010 é a primeira a respeitar a rotação continental — ou seja, um rodízio entre todas as confederações mundiais de futebol — determinada pela FIFA. No ano de 2004, em Zurique, na Suíça, a África do Sul foi eleita como país sede da Copa do Mundo de 2010. O país se preparou construindo cinco estádios de alta qualidade, comparáveis aos europeus. Foi a primeira vez que a África do Sul edificou estádios especificamente voltados ao futebol, pois as grandes construções esportivas eram dedicadas somente aos esportes de elite como o rúgbi e o críquete, praticados apenas pela elite dominante do país, principalmente na época do apartheid. Os melhores e mais modernos estádios estão localizados em Johannesburgo: no Soccer City e no Ellis Park será realizado o maior número de partidas durante a Copa.
Nesse mundial, o Brasil apresentará uma característica diferente das últimas competições: a palavra de ordem renovação. Dunga, ex-jogador e atual técnico da seleção canarinho, renovou grande parte do elenco que quatro anos atrás fracassou na Copa de Alemanha. Após esse ano, houve a saída do técnico Carlos Alberto Parreira, atualmente à frente da seleção sul-africana em substituição a Joel Santana. Com a saída de Parreira, Dunga, sem experiência alguma como técnico, assumiu a seleção, sofreu críticas pesadas, mas seguiu em frente com sua conduta forte já demonstrada em outra época como jogador. Juntamente com Jorginho, fiel parceiro e atualmente membro da comissão técnica, começou a desenvolver um bom trabalho que resultou em uma seleção com espírito competitivo. O time obteve, assim, um dos melhores resultados de sua história nas eliminatórias para a Copa, manteve sua invencibilidade por um período muito longo e demonstrou que, ao contrário da Seleção de 2006, está com os pés no chão, pronta para realmente buscar o título mundial de futebol de 2010.

Países participantes: 32

Parceiros inseparáveis: a mídia e as Copas do Mundo

O grande parceiro do futebol, que colabora substancialmente para sua popularidade, é sem dúvida a mídia. Desde as primeiras Copas com as transmissões radiofônicas até a moderna tecnologia via satélite usada na atualidade para as transmissões televisivas, os meios de comunicação de massa contribuem para que o futebol se torne, cada vez mais, o esporte número 1 do mundo. Mas essa relação não é unilateral: em contrapartida, o futebol na Copa proporciona altíssimos rendimentos para as redes de TV através da venda de comerciais. Para se ter uma idéia: estatísticas estimam que aproximadamente 3 bilhões de pessoas assistiram à final da Copa do Mundo da França em 1998 - nada mais do que metade da população mundial.
Mas essa relação também não é só harmonia. Volta e meia, surgem atitudes antidesportivas e mercantilistas que prejudicam, às vezes, os próprios atletas. Alguns exemplos: as marcas de material esportivo digladiam-se para ocupar os melhores espaços na mídia, seja com placas de publicidade nos campos, seja para fornecer material esportivo para os selecionados ou até mesmo para patrocinar algum atleta famoso. Alguns estudiosos do futebol especulam até que determinados jogadores evitam passar a bola para jogadores patrocinados por empresas concorrentes. Também afirmam que as empresas de material esportivo influenciam nas convocações dos selecionados patrocinados por elas, privilegiando, obviamente, atletas também contratados pela mesma empresa. Outro caso polêmico são os horários dos jogos. Hoje em dia, são marcados de acordo com os melhores horários para transmissão - principalmente para a Europa. Assim, pegando-se, por exemplo, a Copa dos EUA, em 1994, visualiza-se um grande número de partidas realizadas no horário próximo ao almoço, entre 12h e 14h, correspondente ao início da noite nas principais cidades européias. Dessa forma, como no período era o verão americano, o rendimento do atleta ficava comprometido devido ao calor exaustivo.

Curiosidades

- Nas primeiras Copas do Mundo, não eram permitidas substituições. Assim, caso algum jogador se contundisse, o selecionado ficava com um jogador a menos em campo. Os jogadores que não jogavam sequer ficavam em campo, assistiam às partidas na tribuna de honra.

- Ainda nas primeiras Copas, alguns selecionados permitiam que jogadores que não tinham a nacionalidade do país - e sim simplesmente a descendência - fossem convocados. Outros permitiam a convocação de jogadores que simplesmente estivessem jogando no país. Posteriormente, a Fifa e a International Board estabeleceram que o jogador só pode participar em jogos oficiais de um único selecionado e, para isso, deve ter necessariamente um dos seguintes requisitos: ser natural do país ou ser naturalizado cidadão do país que vai defender.

- Alguns jornalistas que cobriram a Copa de 1958 afirmam ter ouvido de Garrincha, após o jogo contra a URSS, que jogava com o tradicional uniforme vermelho com calções brancos: "Não acredito que viajei tanto para jogar com o América!" (time do Rio de Janeiro que tinha um uniforme parecido).

- Outras histórias sobre Garrincha: dizem que, ingenuamente, na Copa da Suécia, ele vendeu um rádio pelo qual havia pagado muito caro para o massagista do selecionado brasileiro - o motivo: após ligar o aparelho, ele observou que a transmissão era numa língua que não entendia. Fala-se também que, no meio da euforia dos jogadores diante da conquista da primeira Copa do Mundo pelo Brasil, Garrincha, impassível afirmou: "Mas que campeonato sem-vergonha, não tem nem segundo turno".

- Um fato comum são os técnicos contratados pelos países árabes - geralmente europeus e sul-americanos reconhecidos mundialmente - serem dispensados porque não escalam os jogadores preferidos dos príncipes. Os xeques são tão acostumados a manipular o futebol nos seus países que, na Copa de 1982, na Espanha, um deles, originário do Kuwait, invadiu o campo quando sua equipe acabava de tomar o quarto gol do selecionado francês. Ele exigiu que o juiz anulasse o gol: o incrível é que sua ordem foi obedecida. Não adiantou nada, placar final: França 4, Kuwait 1, uma goleada. Por sinal, os estádios dos países árabes são os mais luxuosos do mundo: alguns têm quartos para os príncipes cravejados com jóias; em um desses estádios, foi construído um hospital porque, em determinada situação, um xeque sentiu um pequeno mal-estar e não pôde ser atendido dentro do estádio.

- Na Copa dos EUA, em 1994, o jogador da Arábia Saudita Owairan driblou vários jogadores do selecionado belga, marcando um dos gols mais bonitos de todos os tempos. Logo após a Copa, o jogador desapareceu dos gramados. Mais tarde, soube-se que ele estava preso por cometer um dos crimes mais hediondos do mundo árabe: a infidelidade.

- Em 1954, na Suíça, houve um fato cômico: o Brasil jogava na primeira fase contra a Iugoslávia, e ambos os times precisavam somente do empate para se classificar. Por falta de instrução, os dirigentes e jogadores brasileiros acreditavam que tinham de vencer a partida para o selecionado não ser eliminado. Assim, o jogo começou com o Brasil "a todo vapor" e os iugoslavos pedindo calma aos jogadores brasileiros. Ao final do jogo, depois do 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, os brasileiros saíram de cabeça baixa, para só saberem posteriormente que estavam classificados. O apresentador Jô Soares - na época, um menino - estudava em um colégio interno na Suíça. Conta ele que, ao entrar no ônibus para pedir autógrafos antes do jogo, observando a interpretação errônea dos brasileiros, tentou avisá-los de que o empate também servia. A resposta: "Fica quieto menino, não diz besteira!".

- João Saldanha foi técnico do selecionado brasileiro até há alguns meses antes da Copa de 1970, quando foi substituído por Zagallo. Vejamos alguns dos seus feitos que culminaram com a sua demissão: não ia convocar Pelé porque este teria um problema sério de visão. Detalhe: Pelé não fez nenhum exame de vista - o técnico acreditava que, quando um jogador ficava muito tempo em um determinado segmento do campo, era porque ele não enxergava direito. Saldanha também não convocava jogadores com cabelo black-power - a moda da época. Depois que os jornalistas pediram uma explicação, ele pegou uma bola e começou a andar pelas ruas do Rio de Janeiro seguido pelos curiosos jornalistas. Logo encontrou o que queria: um careca e uma pessoa com cabelo tipo black-power. Pegando a bola, Saldanha arremessou-a com força contra a cabeça do careca. Depois, lançou-a vagarosamente contra a cabeça do "cabeludo". "Estão vendo, já pensou se na Copa um jogador tem um cabelo desses? Ele vai ter que cabecear para marcar um gol para o Brasil e a bola fica amortecida para o goleiro! Vai ser um desastre!", afirmava. Mais uma, depois de pressionado pelo presidente da República, Costa e Silva, que, fã incondicional do jogador Dadá Maravilha, exigia sua convocação: "Eu não escalo o ministério do senhor presidente, não é? Então, ele pode deixar, que a seleção escalo eu".
fonte: Escola Ninho.

Um comentário:

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    EU TAMBÉM TENHO UM BLOG, CRIEI UM BLOG RECENTEMENTE, SE QUIZER VIZITÁ-LO É:
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